[mediato]
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Plataforma de investigação teatral
e tecnológica
Interseções entre teatro e tecnologia
Nas últimas duas décadas, o teatro português tem vivido uma transformação estrutural e estética sem precedentes, marcada pela crescente incorporação da média-arte digital, fruto do avanço tecnológico e da sua necessidade em se reinventar, dialogar com outras linguagens e corresponder a uma sociedade cada vez mais digitalizada.
<Ver mais sobre o panorama português na III Parte de Interseções entre a média-arte digital e o teatro português no século XXI>
[Ponto de partida] Realizámos um estudo exploratório e identificámos, de forma sistemática, entidades que têm incorporado tecnologias digitais nos seus espetáculos.
Realização de entrevistas
[118 válidas]
De 30 de novembro de 2024 a 14 de março de 2025
Tipologia das entidades teatrais
[49] companhias de teatro [50] associações; [10] cooperativas
[3] empresas [2] equipamentos de gestão estatal [4] estruturas de criação [Fundadas entre 1888 e 2023]
Regiões NUT II
[25] Norte [26] Centro
[48] Área Metropolitana de Lisboa [8] Alentejo
[5] Algarve [1] Região Autónoma dos açores [4] Região Autónoma da madeira
[Conclusões] No desenvolvimento da nossa investigação, utilizamos o termo "incorporação" tecnológica em detrimento de "integração". [Período de análise 2000 - 2025]
Vídeo
[90] entidades teatrais incorporaram dispositivos de vídeo nos seus espetáculos
[76,3%]
Design sonoro
[41] entidades teatrais incorporaram dispositivos de design sonoro nos seus espetáculos
[34,7%]
Video mapping
[28] entidades teatrais incorporaram dispositivos de video mapping nos seus espetáculos
[23,7%]
Robótica
[6] entidades teatrais incorporaram dispositivos robóticos nos seus espetáculos
[5,1%]
Streaming e videoconferência
[53] entidades teatrais incorporaram dispositivos de streaming e videoconferência nos seus espetáculos
[44,91%]
<Ver mais sobre o processo de mapeamento e terminologia empregue no capítulo "Caraterização dos participantes no estudo e sistematização dos resultados" na III Parte de Interseções entre a média-arte digital e o teatro português no século XXI>
[Caso concreto] Acompanhamos o processo de criação de Terra de Fogo (2026), analisando com profundidade a incorporação do vídeo no teatro, bem como as relações entre a equipa artística e técnica.
A companhia
A Hotel Europa é uma companhia de teatro documental fundada em 2015 por André Amálio (Portugal) e Tereza Havlíčková (Chéquia). A sua prática artística desenvolve-se no cruzamento entre teatro, dança e performance, com uma abordagem de não-ficção que articula investigação e composição cénica. Os espetáculos mobilizam uma sobreposição de materiais autobiográficos, narrativas familiares, história nacional, testemunhos e entrevistas, bem como pesquisa historiográfica e trabalho com arquivos, interrogando zonas de silêncio e conflito do passado recente. No âmbito do nosso projeto, estabelecemos um protocolo de colaboração com a companhia para o acompanhamento e registo do processo criativo do espetáculo Terra de Fogo (2026).
Terra de Fogo
O espetáculo procura analisar o estado da floresta portuguesa, documentar a situação vivida pelas pessoas e florestas consumidas pelos fogos dos últimos anos, assim como noutros países do Sul da Europa, e entender esta realidade de uma forma comparativa.
Ardem as florestas do Sul da Europa todas da mesma forma? Como é feita a sua gestão em Portugal e no resto da Europa? O que pode ser feito para defender e diversificar a floresta portuguesa? Este espetáculo analisa, em particular, os fogos que atingiram Portugal em 2017, ano em que arderam 500 mil hectares e que causaram mais de 100 mortos: em particular, a 17 de Junho e 15 de Outubro, em Pedrógão Grande e noutras zonas da região centro do país.
Ficha Técnica
Criação André Amálio & Tereza Havlíčková Movimento Tereza Havlíčková Interpretação André Amálio Criação Musical Pedro Salvador Vídeo Tiago Moura Cenografia & Figurinos Ana Paula Rocha Assistência de Cenografia & Figurinos Madalena Cáceres Direção Técnica & Desenho de Luz Carlos Arroja Produção Hotel Europa Estagiária Luana Vaz Coprodução Auditorio de Tenerife, Convento São Francisco, Cineteatro Louletano, Teatro-Cine de Pombal & Teatro Municipal Baltazar Dias
atores/performers
diretor/encenador
artista computacional
cenógrafo/figurinista
equipa técnica/artística
[Teoria e prática] O nosso interesse em compreender práticas artísticas híbridas levou-nos a recorrer à genética teatral para analisar processos criativos a partir de vestígios documentais deixados por artistas e equipas, bem como de documentos produzidos no acompanhamento do trabalho.
Alavancas do processo criativo teatral
A abordagem genética permite-nos aceder à génese das obras, acompanhando as decisões, mudanças e negociações que as constituem. A observação de perto e a criação conjunta entre artistas de teatro e artistas digitais/computacionais fez-nos conceptualizar as alavancas do processo criativo teatral e a aceder às interdependências e o modo como cada contributo funciona como uma verdadeira “alavanca” que faz funcionar o tempo do espetáculo. O trabalho de um geneticista, de inspiração etnográfica, parte da ideia de que o processo criativo se constrói em diálogo com os contextos humanos e culturais onde acontece. A metáfora da engrenagem sintetiza esta dinâmica: o movimento de cada elemento ativa o dos restantes, gerando zonas de “contaminação criativa” [círculos] onde as escolhas estéticas e tecnológicas emergem de um diálogo contínuo, mais do que de uma hierarquia fixa.
<Ver mais sobre o processo de mapeamento e terminologia empregue no capítulo "Objetivos e questões de investigação" na I Parte de Interseções entre a média-arte digital e o teatro português no século XXI>